autor: Ayrtton Fonseca autor: Bárbara Tanaka autor: Giovana Anschau autor: João Basso
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terça-feira, 18 de outubro de 2016

CALOR.

Eu coleciono detalhes
Troco olhares
Transmito gestos

Pressiono qualidades
Não me contento com pouco
Quero sempre mais

Aproveito o silêncio
Encontro amparo em pequenos gestos
Gosto das más sensações

Esse calor tá queimando meu cérebro
Mas passar mal tá dentro dos meus planos
Prefiro assim

Será que esse litro de cerveja vai segurar a onda?
Não gosto da dúvida
E vocês sabem bem disso

Nenhuma droga me faz bem
Nenhum cigarro
Nenhuma bebida

Minha postura tá ótima
A imposição melhor ainda
É questão de dominância, sempre

E eu nunca perco uma chance
E você dá muita chance
E, nesse caso, como fica tudo?

Nunca fiz sentido
Eu só quero ficar sozinho
Mas a caneta insiste em deixar minha letra bonita

Vocês sabem bem disso
Que eu nunca vou ser preso
E sempre vou andar sem medo

Odeio mágoa
Nunca guardo
Não tenho tempo tampouco paciência

Sempre tive privilégio
Físico e mental
Por isso tive receio na fila do exército

Encho meu caderno de palavras inúteis
Mas é importante perceber isso
Assumo a culpa

Não assino nenhum B.O.
Não dou trabalho
Adoro papo reto

Me empolgo fácil demais
Recluo com mais facilidade ainda
Mas deixo marca

No fundo da minha alma eu quero só produzir
Música, texto e emoção é só o começo do currículo
O problema é exteriorizar

Percebo com facilidade o meu entorno
Agora me divirto mais aqui
Do que com mil amigos

Sei quando sou chato ou inconveniente
Não me iludo
Mas guardo pra mim todo esse sentimento

Enfim, achei aqui uma sombra e cansei de versinhos. Vamos pra caça.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ABAB do amor

A - Faixa de pedestre 
B - Evitando todo o mal
A - Num plano terrestre
B - No meio deste vendaval

A - Hoje faz dois meses
B - Que eu te vejo na minha cama
A - Eu te ouço tantas vezes 
B - Quero te sentir nesta semana

A - Do Saara às ilusões ao pó
B - Que te embrulhou na sexta-feira
A - Cinco anos após o amor neste toró
B - Por aqui se esconde a nossa vil cordilheira

A - Onde caçam as raposas
B - No corpo campestre?
A - Espaço onde há limites que nunca se repousam 
B - Por pouco olhou ao atravessar a faixa de pedestre

A - Está um dia tão lindo lá fora 
B - Coube a mim uma das últimas cinco peças 
A - Pois contigo já não preciso mais saber a hora
B - "A gente devia tomar um café uma hora dessas"

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A mesa virou e ela disse:

Sabe, seu cabelo vai caindo durante o dia. 
De manhã você deixa ele todo pra cima, como se estivesse saindo pra conquistar suspiros e cantadas por aí. 
De noite ele já está todo caído e você está com sua cara de cansado, mas sempre se esforça para sorrir para mim. Sempre me aninha no seu abraço e tenta quebrar meu silêncio. Sempre tenta me lembrar de que tudo vai melhorar e falta só mais um pouco para que eu consiga tudo o que eu quero.

Sabe, talvez seja você mesmo a pessoa que vai me tirar desse marasmo. Que vai fazer com que eu sinta que minha vida vale a pena e que basta eu querer para poder brilhar sendo eu mesma.

Eu perdoo sua imaturidade, seu chulé e suas inúmeras conversas sem sentido. Eu só quero que você diga bem baixinho que me ama. Me abrace toda manhã e faça carinhos no topo da minha cabeça. Que me dê beijos sinceros quando eu precisar. Que escorregue suas mãos enormes e bobas pelo meu vestido sempre que possível.

Eu só quero você. É pedir muito?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Abraço / O dia em que o mendigo me quebrou /

Notei, nesses dias, que tenho abraço menos. Muito diferente dos abraços que costumava dar nas pessoas, hoje abraço com menos força. Com nojo, talvez. É bizarro.
Sempre fui muito acostumado a surpreender pessoas com abraços apertados e longos, o que até me rendeu um certo título... Mas e hoje? O que me ocorre?

Afastamento.

Me sinto meio sozinho. Não tenho mais vontade de tocar nas pessoas. Fico sem jeito, tímido. Faço piadas, mas não toco mais. Não consigo.
Eu, que já me incomodava horrores com cafunés, me pego negando carinhos. O que está acontecendo?

Solidão.

Achei que essas palavras só se encontravam em músicas bregas, mas aparentemente alguém decidiu bater em minha porta e trazer a amiguinha...

Mas vai ficar tudo bem.

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M: Ô, me arranja uma brasa aí.
E: Não tenho, velho.
M: Um cigarro então.
E: Também não tenho, cara. Não tenho nada.
M: Você não tem nada?
E: Não.
M: E quando foi que você perdeu tudo?

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Com a palavra, João Basso: #somostodosgatos

Na vida selvagem, um gato em estado terminal entende que está mais vulnerável a predadores e busca um lugar para morrer em paz. Por conta disso, é comum o animal instintivamente se isolar em um cômodo pouco visitado, em baixo de móveis ou no quintal.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Podepá. / Hyperephania

Podepá que às vezes me dava uma loucura súbita e eu saia correndo pelo centro na maior loucura, só pra dar risada.
Hoje eu meio que finjo que existo. Acabei encontrando meu verdadeiro eu e acontece que esse verdadeiro eu é uma mentira. Eu só sirvo pra mentir e gerar desconforto nas pessoas. Infelizmente sempre foi assim e sempre vai ser.
Eu sinto inveja, eu sinto ódio, eu sinto dor. Sou arrogante; não ligo. Rasgo, destruo, machuco. Não sei lidar.
Mas existe um momento em que nós acabamos como personagens secundários da nossa própria vida.

--

Se pudesse voltar no passado, faria tudo novamente. Só faria mais intensamente. É tão fácil reclamar e não agir que a gente se acomoda e acaba não fazendo as coisas do jeito que deveria.
Talvez eu poderia ter corrido mais ou dançado mais. Ter lido e me informado só mais um pouquinho. Não ia matar. Ia só me ajudar.

--

Repito: Já notou como todos os textos tem o "eu, eu, eu"?

Pois bem: hyperephania.

Nunca houve palavra melhor para me descrever.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Limpando meu computador / Lidando com a manhã / Indo embora

Primeiro passo: saia de casa e arranje um emprego.
Não posso dizer que está fácil. Não, na realidade: tá foda. Não tem amor, não tem emprego, não tem empatia. Só tem doença e indiferença nessa avenida.

Segundo passo: "Siga-me, só não persiga-me."
Eu adoraria saber como mudar tudo. Como deixar todo mundo bem. Gostaria de absorver a dor de todos, se pudesse. Sempre fui assim.  Infelizmente não dá, então preciso seguir e ir recolhendo os cacos no caminho.

Terceiro passo: apague tudo o que puder. (e é aqui que a gente entende o Shion)
A vida não faz sentido, pai. É assim mesmo. Mas calma, ainda vai ter muito mais.



E a gente não merece nem um pouco disso, caras. Nem um pouquinho. Sinto muito por não poder cuidar de vocês. Queria tanto só deixar tudo bem.
Desculpa, vó. Você precisa de todos e eu não estou nem perto daí,
Desculpa, pai. Você precisa de ajuda e eu não consigo te alcançar.
Desculpa, mãe. Eu estou tão desligado da vida que cometo muitos erros bobos.
Desculpa, eu. Você sempre quis ser diferente e acabou sendo mais um brick in the wall.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

É isso.

– Mas e o que você acha?
– Sobre o quê?
– Sobre tudo.
– Não sei.
– Como não sabe?
– Apenas não sei. Não sou dono da verdade.
– Que inferno, você.
– Desculpa, É melhor eu ir.
– Não, fica.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Vê?

Não há nada tão pesado que eu possa escrever que pode deixar você, leitor, atordoado. Minhas palavras simplesmente não têm profundidade. São vazias. Não conseguem deixar marcas e cicatrizes na sua mente. Não passam dos seus olhos, na verdade. 
Não há profundidade em minhas palavras porque não há profundidade em mim. Sou oco. Toda a minha existência é um vazio. Eu, enquanto pessoa, sou só eu. E mesmo que deixe de ser eu, ainda assim serei eu.
Vê? Não há ponto algum em mim. E exatamente por não haver ponto em mim, posso ser facilmente descartado; assim como minhas palavras. 
Minhas palavras, assim como eu, precisam ver a luz do dia. Precisam de aceitação. Precisam de olhos que a vejam, para que então possam ser deixadas de lado. Dessa forma, mesmo que deixadas de lado, ao menos existiram.
Eu, ao menos, existi. E tive meus momentos (assim como elas...). 
Rapidamente serei deixado de lado (se já não fui) para que outro ocupe meu lugar.
Vê? Perceba a semelhança que tenho com minhas palavras. São tão sinceras mas tão desesperadas... Tão ingênuas e cheias de liberdade...
Mas perceba: elas têm um fim. 
Tem que haver um fim para tudo que existe no universo. 
E como as minhas próprias palavras, que jamais conseguirão se concluir de forma bonita, irei embora.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Não liga.

Devia ser tão mais legal viver
Com o meu skate
Mas eu era tão
Pesado

Devia ser tão mais legal andar 
De carro
Mas eu era tão 
Pobre

Viajo em versos
Mas estou tão pesado 
Tão pobre

Quebrado, sem emoção 
Sem
Sentimento

E mais uma vez não me conformo com os versos anarquistas que quando postos à prova, sumiram.

Hoje sou uma imperfeição. Sem skate, sem carro. De bicicleta. E de novo deixo-me guiar até o limite do aceitável, esperando não cair para os lados.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Dois tiros na cara só pra confirmar.

Sou um péssimo namorado. Sou uma péssima pessoa. Os olhos fugindo não são charme; é medo.
As risadas, os textos, as falas ensaiadas... Tudo. 

Às vezes a gente se sente um lixo e só quer enfiar a cara na terra pra sempre.
Às vezes a gente se sente incrível e só quer conversar com o maior número de pessoas possível.

Há quem diga que há a beleza na tristeza; assim como em todos os sentimentos. Todos são belos, cada qual do seu jeito. Aprendemos isso até em filmes da Pixar.

Você está no meu cérebro 90% das vezes em que tomo uma decisão. Isso é bom, isso é ruim? Apenas é.

Mas você para e eu paro.
Você ri e eu rio.
Você chora, eu tento ajudar.
Eu falho em ajudar, me sinto culpado.
Me sinto culpado, me sinto triste.
Se eu estiver triste, você está triste.

E eu também me sinto bem idiota 99% das vezes. O meu passado me condena e insiste em pagar a janta. 

Será que algum dia eu conseguirei tomar coragem para mudar? Você vai gostar mais de mim se eu conseguir mudar? Será que eu posso mudar?

...

quinta-feira, 31 de março de 2016

Sonho

Tive um sonho
Foi tão bom
Acordei
Imagina se você sabe sobre esse sonho

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Picross tá roubando minha vida lentamente

O seu cheiro veio como uma sombra astuta que me assusta e persegue pelas vielas desta cidade tão feia e impura. Não é como se tivesse medo; só não quero deixar entrar. Não quero viver sentindo toda a minha alma atrofiando-se dentro de mim novamente. Os estilhaços que você deixou atravessam-se como galhos bagunçados em uma floresta densa. Eu os piso, sempre com cautela, mas mesmo assim rápido, pois devo fugir da sombra novamente.

Mais rápida que minhas palavras, minha mente embaralha automaticamente o mapa que me daria caminhos de volta para casa. Sendo assim, jamais voltarei ao meu velho conforto.

E você acha que sabe demais, mas quero que sempre se lembre de um peculiar fato: você só acha que é verdade porque acha que entende.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Eu vou te explicar como se faz a raiz digital.

Terminei de assistir sense8.
Meu Santo Deus.
Parece que tiraram minhas ideias mais loucas relacionadas a cinema e interação mundial, jogaram numa panela quente e adicionaram sal. Dessa panela, saíram oito personagens cativantes e muitos urros do menino João de "CARALHO! QUE BEM PENSADO!".
Enfim, depois de devorar 12 episódios, minha fome aumenta a cada minuto para ter mais.
Mas o ponto não é esse. O ponto é a raiz digital.

"A raiz digital de um número inteiro é o resultado da soma recursiva de seus dígitos até que só reste um algarismo."

A raiz digital de 44 é 8, pois 4+4=8.
55 é 1, pois 5+5=10 e 1+0=1.

Sun vai para a prisão e seu nome vira "prisioneira 773". Raiz digital de 773 é?
Isso, 8.
(7+7+3=17 e 1+7=8).
A 'bully' feiosa que vai arranjar confusão com ela tem em seu uniforme o número 818. A raiz digital de 818 é?
Bingo.

Fora as repetidas cenas em que Jela e Capheus estão exibindo em sua plaqueta de van o número 8. Mas isso estava fácil demais.

Puta que pariu, Wachowskis. Puta que pariu.

domingo, 15 de novembro de 2015

Like a church of virgins

"... And it always ends up: me against her..."

Estamos sempre indo contra a natureza:
Relacionamentos, drogas, dinheiro, ataques violentos contra outras nações
E eu tô cansando.

Querido diário, hoje gritei tanto que estou rouco; pensei tanto que estou demente e dormi tanto no chão que minhas costelas doem. Sou muito egoísta e as pessoas percebem isso. Sou muito desesperado e isso, por si só, me desespera. A verdade é que não sei escrever. Eu finjo. Eu minto. Eu finjo que minto sobre o que sinto.
Tem dias em que não me aguento. Tem dias em que nada me importa. Tem dias em que as coisas me importam demais.
Quando pergunto se você está bem, realmente quero saber o que está sentindo. Se algo lhe chateia, o que está acontecendo ou por que não está tudo bem.
Me perdoa por me importar demais. Não tenho amor próprio o suficiente para achar que vou deixar tudo bem e meu complexo de culpa deixa tudo pior. Não sou o melhor, mas tento. Só que às vezes tento demais. Procuro proteger quem amo e é assim que é.
Minha cabeça tem mudado muito rápido nesses últimos meses. Quanto mais acho que sei de muitas coisas, mais coisas descubro. Isso tem sido pesado para mim. É engraçado como quanto mais procuro não vitimizar minha situação, mais me encontro nela.
Me sinto inseguro, entende. Carente, de certa forma. Mas vai passar. Sempre passou.

"... Tá, mas o que você quer de mim?"

Que coisa errada, caras. Rezem pela Síria, também.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Maggot Brain

Como a tela de um computador vazio que nada contém, estamos ambos aqui
mudando nossos sentimentos como mil pixels que dançam e distorcem, saturando tudo o que há a ser saturado
E eu adoraria mostrar tudo o que este pequeno corpo pode oferecer
São mentiras que infelizmente vieram à tona
São sentimentos que infelizmente não sei controlar
As noites em que agonizo e não sei mais onde – ou o quê – procurar

Sabe, faz tempo que não me sinto assim
E antes eu mesmo criaria sombras de ódio perante a mim ao cogitar pensar em tais coisas
Mas me foi descoberto, ao ápice de minha criatividade, que todo o problema se originou na raiz
Me sinto como tal pois fui criado assim

E hoje sou esse tapete
que morde, vez em quando

Mandei mal.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Alerta de texto gigantesco e desinteressante que você não vai entender nada e provavelmente vai pensar "meu Deus, que lixo" mas ainda assim vai continuar lendo o blog porque tem várias coisas interessantes por aqui

Eu preciso respirar. Não, sério. De verdade mesmo. Preciso puxar o ar.
Você já parou pra pensar que tá tudo bem?
Tá tudo bem. Você não precisa morrer e você não precisa sofrer.
Então por que todo dia morre? E por que todo dia sofre?

(e você já notou que todos os meus textos são exatamente iguais?)

Como é complicado controlar a nossa própria cabeça.
Ora quero acelerar, ora quero frear.

Mas eu deixa eu tomar uma liberdade aqui e falar sobre uma pessoa:
No futuro, vou passar no apartamento prometido há anos e assistir algum filme de arqueólogos que você sempre gostou mais que eu. Somos parceiros no crime, cara. Você sempre mais corajoso e eu sempre mais racional. Como foi que algumas aventuras acabaram sendo mais interessantes pra mim? E por quantas vezes já passei o ridículo pra livrar a sua barra? De qualquer forma, obrigado por tudo. Quero muito que num futuro possamos nos ajudar.

Mas ok, de volta para a narrativa principal (se você conseguir acompanhar e eu sei que não conseguirá):

Eu não sei viver sozinho. Sou carente, egoísta, ciumento, bobo, inseguro, faço drama e encho o saco. As pessoas costumam dizer que esse é o melhor de mim e me amam assim, e, mesmo eu aceitando isso, não consigo me sentir confortável o suficiente para dizer que tá tudo bem.

E na verdade tudo isso aqui é só drama. Eu sou só drama. Tá tudo bem, mas faz tempo que eu adquiri o pensamento de que tá tudo errado por estar certo.
A culpa é minha e não há mudança fácil.

Eu juro que adoraria não sentir nada. Adoraria ter pensamentos no lugar. Ser elegante e charmoso e toda essa porra. Também juro que sempre tento, mas acabo parecendo um idiota. E toda vez que me sinto idiota, me sinto mais idiota ainda. E esse ciclo continua até eu chegar em casa e escrever um texto. Tem vezes que sinto alívio e vezes que só me machuco mais.
Não vale mais ir pelo caminho mais longo e cheio de dores. mas me acostumei assim.
E eu não vou conseguir sentir a sua felicidade se eu não estiver feliz. Não vou acalentar sua tristeza se eu não souber exatamente o que está se passando.

Talvez eu devesse ser mais sincero comigo mesmo.

Em itálico e negrito pra eu lembrar disso amanhã e depois.
Sou livre mesmo pra escrever aqui? Posso escrever um texto que ocupa a página toda? Porque quebrar a quarta parede eu já faço sempre.

"Sempre". Essa é a palavra.
Tem algo que você faz sempre? Uma bola que você pisa sempre? Um problema que você repete sempre?

{
Tem dias em que eu sinto que não posso ser feliz, entende. Acordo pensando que tô fazendo tudo errado e que sou uma péssima pessoa. Que eu não mereço tudo o que tenho. E de fato acho que não mereço. Nunca realmente me esforcei pra muita coisa, além das pessoas.
Eu continuo me esforçando pelas pessoas, entende. Correndo atrás até sentir que estou sendo idiota e cair naquele ciclo de idiotice que por si só já é bem idiota.
}

Aceitação é uma coisa difícil. Ora pois, se não estou contente do jeito que estou, por que diabos iria aceitar isso? Aí você luta contra e você perde, porque você não é assim. Ponto.
E eu, portador do RG 998blablablá sei de tudo isso, consigo ter uma visão de fora e mesmo assim não consigo aceitar.
Pelo que diabos eu tenho que passar para aceitar? Será que eu já aceito?

Eu tô tentando mudar, de verdade. Não mudar o que eu sou, mas mudar a condição de onde estou. Tentando mudar a alavanca de "lutar contra" para "aceitar" e está sendo complicado, porque eu não ando gostando muito de ser eu.
E as pessoas só vão passar a me respeitar quando eu aceitar o que acontece comigo.
E eu nunca mais vou desistir porque sou curioso e quero saber o que vai acontecer no final.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Eu ainda vou arrancar meus olhos fora

Meu Deus.
Eu procuro muitos cantos esguios e espacinhos para mostrar minha tristeza. Assim que surge a oportunidade, grito de uma forma que assusta, mas logo se dissipa no ar.
Meu Deus. 
Acordei tão estranho nessa manhã e tudo está tão simples que mesmo as coisas que deviam me desesperar estão tão suaves. Estou escondendo as palavras na esperança de que você as ache, de novo. 
E se por todo esse tempo fiz o que ela disse para ele não fazer? Acho que aguentei tanta porrada que agora que o mar está calmo, tenho medo dos monstros. É mentira, tudo o que dizem. Não está tudo bem. Nunca está.
Mas você quer que eu seja direto. Você quer mais de mim; e eu sou mais que isso.
Não estava brincando quando disse que estou conformado. Tenho muita preguiça de fazer acontecer. Meus textos estão todos sujos. Desculpa por não poder ajudar. 
O mago disse: "Descartem-me como descartam a teus lixos. A menor importância não darei. Minha função na terra está completa." E eu concordo com ele.
Olha onde cheguei. Fui longe, pra quem ia pular da janela. Queria tanto saber o que é que ocorre comigo. 

A manhã traz uma nova aurora 
E eu só consigo pensar em diversão momentânea 
Porque nada mais é como era antes 
E minhas frustrações parecem tão vagas

Ah.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

"Mas"

Eu aproveitei que tinha milhares de créditos no celular e liguei pra desejar um feliz natal a todos, mas não tinham muitos números na minha agenda.
"Eu tô falando, cara, vou escrever um texto enorme pra ela dizendo tudo o que eu sinto."
E ele me olhou meio torto, como se não fosse uma boa ideia. De fato não era, mas sempre fui muito profundo em qualquer coisa.
Aí eu liguei, mas não era para desejar um feliz natal. Era pra conversar.
"É que eu não entendo o que você quer, saca?"
"Ai João, o problema é que você fica o tempo todo me colocando na parede, sabe? Eu não consigo respirar."
Eu ri, mas ri de nervoso.
Depois que desliguei, era óbvio que eu iria fazer aquela presepada toda.
Às vezes me sinto muito burro. Muito, mas muito burro.
Mas
"Se arrependimento matasse, eu estaria vivão."
No texto eu realmente escrevi tudo o que sentia, mas meu pior erro foi ter nascido em 97. Não se sabe o que é o que quando se é inteligente demais pra sua época.
"O João é homem pra casar."
"Então casa comigo."
Silêncio.
Eu ainda lembro de você, eventualmente. O engraçado é que lembro só das coisas que fiz e não das coisas que você fez. Hoje, não tenho muita vontade de te ver e, se visse, provavelmente iria agir estranho. Espero que entenda.
Deus, eu queria tanto ainda ter as coisas todas naquele celular. Iria rir por tantas horas.
E mais: você era muito feio, João. Puta que pariu.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

{ Prometa que só vai ler quando estiver muito triste }

É como se o espaço gritasse. Como se todos os átomos do meu corpo vibrassem na mesma frequência (40Hz). Todos os músculos que compõe o meu coração pulsam com a rigidez dos ombros de um general de guerra pronto pra dar sua ordem mais importante.

É incrível ver a população do deserto em que me encontro rindo de mim, fazendo me sentir tão estúpido que quero morrer. E não me resta água. Não me resta alimento. Não me restam razões para continuar. Num ímpeto talvez imbecil, passo a comer da minha carne. A população do deserto zomba de mim, fazendo com que me sinta tão asqueroso que quero morrer. Mas não posso morrer agora.

Me levanto e me odeio. Odeio qualquer nome pelo qual já fui chamado. Odeio qualquer palavra que já disse. Odeio qualquer sentimento que já tive. Quero que tudo desapareça, mas quanto mais penso em odiar, mais a escuridão me corrói. Sinto medo por um segundo, mas lembro que você já não existe mais. Você e tantas outras pessoas já viraram cadáveres nesse imenso deserto em que me encontro. Ponho-me a agradecer por terem me mantido vivo durante todo esse tempo. Paralelo a isso, venho a xingá-los por terem me deixado com tanto ódio acumulado dentro de mim. Tremo, mas não é de frio. São essas vozes que continuam me subindo à cabeça e me dizendo coisas que eu já sei, mas me nego a acreditar. Enquanto o vento uiva em meus ouvidos, me pego pensando em tudo o que você falou sobre energias cósmicas. Não dei atenção, no momento, pois estava muito ocupado acompanhando o movimento dos seus lábios.

Palavras soltas encaixaram em minha cabeça nesse exato momento e tento lembrar da entonação de sua voz. Nada. Somente palavras manuscritas e mal escritas organizadas por parágrafos entrando em minha mente.

É noite, mas não posso dormir. Faltam-me pedaços, mas não posso parar. Tenho que sair desse deserto. Continuo caminhando. Norte, sempre norte. Algum dia chegarei a algum lugar.

E eu nunca quis ser assim. Me odeio. Caminho, mas me odeio. Sobrevivo, mas me odeio. Enxergo, mas me odeio. Deixei você ir e me odeio. Paro para descansar. Não seria humanamente possível caminhar tanto, eles dizem. Sabem de tudo, mas me negam a informação. Não dizem como posso sair deste deserto. Sinto arrepios.

Descanso. Durmo. Falho. Sonho. Você e eles.
Eles, sempre eles.
Só você e eu.
Ele, de mais de 30 palmos de altura, arisco, desafiador, verde e limpo. Clássico, eu diria. Infinitamente elegante, em sua rebeldia.
Facada pelas costas.
Joelhos no chão.
Lágrimas e sangue também.
Remorso.
Eu sinto muito. Sinto tanto.
Ele e seus menos de 10 palmos. Ciente, ágil, concentrado. Sombra, apenas um sombra. Ou então eu achava que era.
Você tentou me roubar, amigo. Então roubarei de ti.
Caso indefinido.
Acordo. Sonho estranho. Lágrimas nos olhos. Quero sumir. Eu me odeio. Me odeio tanto.
Você não devia ter feito isso comigo. Eu não deveria ter deixado tudo isso acontecer.

Ponho-me de pé, mas minha mente luta. Ela mesma não quer continuar. Mas sou eu que mando e não o contrário. Já tratei de me livrar de alguns de vocês e não hesitarei em outros. Arrisco dizer que vocês não serão corajosos o suficiente para chegar muito perto.

Suicídio? Não. Continuo andando.
Sombra. Aflição. Ando mais rápido. Corro. Grito. Choro alto. Fujo, mais uma vez.
Queria deixar claro que não sinto medo, mas falhei. Fugi como um pequeno cachorro que se mostra valente.
Ofego. Não deveria estar ali. Por que diabos estava ali? Há quanto tempo?
Olhar pra cima, isso. Sempre olhar pra cima.
Estava ali tempo o suficiente para saber demais.
Não pode ser.
Morte? 
Me diz uma coisa.
Morte?
Morte?
Morte?
Me responda.
Morte?
Morte?
Você está com medo.
Morte?
Não, não resolve.
Morte?
Eu tenho medo. Eu tenho muito medo.
Por favor, me ajude.
Por favor.
Sumiu.
Sinto-me leve de novo.
O tempo é relativo, mas me ponho a caminhar de novo. Cada vez mais cansado, cada vez cogitando mais e mais a possibilidade de desistir.
Suicídio? Não. Caminho mais.
Você sabia. Sempre soube. Nunca ficava sem saber.
Eu precisava tanto assim de você?
Sim.
Meus olhos ardem. Quero arrancá-los.
Não.
Siga em frente.
Metas. Sempre elas. Extorquindo minha mente. Ouviu bem, cara? 
Não poderei parar até a numerologia fechar em número par.
Tô cansando. Não posso trocar. Tenho que seguir firme.
Atenção aos detalhes? Sempre.
Memória fraca, mas interessante.
Vou perder assim que te alcançar. Vou querer demais, como sempre faço. Eu me conheço. Eu sou assim.
Você, por sua vez, sempre ganha. Sempre ganhou.
Me perdi. 
Mais 
uma
vez.

Não posso desistir.
Está tudo bem agora. Mas a sombra está lá. Ela vai me pegar.
Medo.
Eu sinto muito. Sinto muito mesmo.
Você ainda chora? Sim.
Você ainda sente? Sim.
Não quero saber. Ok.
A cada passo na areia, você arrisca seu futuro.
Sente ódio? Não. Você se sente mal? Sim.
E eu sinto muito. Muito mesmo. 
Pra que continuar? Onde vamos parar? Vamos parar?
Você me passa pela cabeça novamente. E tem sido só você. Só e somente.
Tudo o que eu queria era você. Preciso de você.
Eu sinto muito pelo que fiz. Muito mesmo.
Não foi o suficiente. Adeus.
Não vou mais caminhar.
Suicídio? ...
Não. Não. Não.
Eu me odeio. Me odeio muito.
Suicídio? Relativo. Deixe.
A sombra é sua. Leve-a. Ria, como eles fizeram. Xingue, como eles fizeram. Minta, sempre minta. Não esqueça dos detalhes.
Suicídio? Plausível. Lembre.
Não é opção. Sempre foi a minha vez. 
Pronto. Atormentado e pronto. 
Medo. 
Não, agora não.
Não agora.
Por favor, não.
Corra.
Corra mais.
Seja mais do que já é.
Ele está vindo.
Tente vencer.
Não.
Desista.
Acabou.
Isso é um adeus.
É a metade, mas ainda assim um adeus.
Sempre deixa marcas.
Não é mais sobre ele. É sobre eu. E sobre eu não suportar. Não caber dentro de mim.
Me mate. 
Sabia.
Suicídio? Na minha maneira.
Dor.
Enjôo.
Barulho.

Chuva. E por pouco não vou conseguir.