autor: Ayrtton Fonseca autor: Bárbara Tanaka autor: Giovana Anschau autor: João Basso

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A bola que você pisa sempre

A BOLA QUE VOCÊ PISA SEMPRE



O Pê tava quebrando a quarta parede comigo hoje. Me perguntando se tem uma bola que eu piso sempre. Você, leitor, tem? Tipo um erro que eu provavelmente gosto de cometer. E tenho sim, e muito provavelmente você também. Leves atrasos para os nossos focos principais. Distrações irrelevantes 
que nos tiram do caminho.


Eu tô com a mesma dúvida que ele teve ano passado, se eu tenho permissão de escrever textos desnecessários de reflexões fúteis que parecem coisas bonitas com as palavras encaixadas corretamente, mas acho que isso tudo é o cubículo em que o passarinho come alpiste. Há quem diga que se for uma gaiola na beira do Macchu Picchu, a paisagem vai presentear ao infeliz canário o sabor que ele procurava. Tipo quando você tá rodeado de parentes comentando sobre temperatura e o último jogão do domingo mas o teu celular te dá o ambiente desejado. Macchu Picchu.


 Tudo é a nossa volta, penso eu. Ele diria um ''tudo é a nossa volta, bicho''. E é assim mesmo. Nossa vida é o tempero, não o conteúdo. E agora eu vou misturar gastronomia pra você entender a analogia. E acho que é uma parte na escrita que eu herdei dele. Mas pensa bem: você não come o arroz e feijão sem sal, você come o temperado; e se tiver algo a mais, melhor ainda.


É bem aquela cena do Mr. Robot mesmo, acho que o melhor palpite é que a gente quer ficar sedado boa parte do tempo, pra lidar com o dever, sonho ou necessidade depois. Depois de um bom episódio de alguma série qualquer.


Ele tava sempre em confronto nesse quesito. Consigo mesmo. E me relacionei com pessoas assim também, mesmo que não tenha conseguido resolver eu entendi que a importância não é o tempero da comida. Sim absorver o que ela tem de qualidade.

Em resumo, tô tentando explicar que não como comida com sal.

 e isso eu não aprendi sozinho.


Isso eu aprendi com a décima sexta letra do alfabeto.

sábado, 22 de outubro de 2016

irmão de outra mãe

Essa literatura da vez é pra você, Alison.
Só mais uma. O meu eterno exemplo.

Isso sempre se aplicou a todos os meus problemas, todos os meus momentos da vida, mesmo que ingênuos ou simples comparados aos de hoje em dia (vide treze anos para cá). Seja com o controle de raiva, seja com a simples necessidade de ter alguém, antes de tudo existiu ele.

Momentos como aqueles que você troca olhares com o espelho, passa horas a fio quebrando o silêncio apenas com o murmúrio dos pensamentos, seja refletindo em coisas boas ou negativas, lucros ou prejuízos; momentos que a solidão deixa de ser um problema e alcança o estado de virtude.

E cá estou eu no melhor exemplo disso: intercalando entre o futuro, passado e uma xícara de chá gelado, não sei se prefiro boas memórias ou bons sonhos, mas sou grato a ambos pois eles me lembram a estrada que venho caminhando, o caráter que vem sendo formado, dias que são contados mas a gente gosta de ver o relógio indo bem devagar.

Momentos como esses que raramente nos são proporcionados mas nos fazem esquecer perguntas mais importantes sobre a vida, dúvidas de como seria possível a criança que puxava o vestido da mãe pra pedir um picolé estar escrevendo esse texto, momentos que nos fazem perceber que pra falar a verdade, nada a não ser o momento, importa.

E momentos como esses são momentos a serem relembrados.

Eu espero que você, caro leitor, entre essas ruas, becos e vielas de nostalgia possua alguém que por ele(a) sua pupila dilate, e ele foi a minha primeira lição sobre amar alguém. O amor dos pais vem da criação, o amor sexual tem o seu empurrão físico, mas a forma de amor de uma pessoa estender a mão para a outra em um momento de necessidade, formando uma relação de afeto pelo puro interior da pessoa sem pedir nada em troca, apenas a companhia...

é de fato

uma das mais belas.

e como eu te disse

não importa se amanhã paremos de nos falar

comigo eu te levarei para sempre

pois você formou o que eu sou hoje.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

CALOR.

Eu coleciono detalhes
Troco olhares
Transmito gestos

Pressiono qualidades
Não me contento com pouco
Quero sempre mais

Aproveito o silêncio
Encontro amparo em pequenos gestos
Gosto das más sensações

Esse calor tá queimando meu cérebro
Mas passar mal tá dentro dos meus planos
Prefiro assim

Será que esse litro de cerveja vai segurar a onda?
Não gosto da dúvida
E vocês sabem bem disso

Nenhuma droga me faz bem
Nenhum cigarro
Nenhuma bebida

Minha postura tá ótima
A imposição melhor ainda
É questão de dominância, sempre

E eu nunca perco uma chance
E você dá muita chance
E, nesse caso, como fica tudo?

Nunca fiz sentido
Eu só quero ficar sozinho
Mas a caneta insiste em deixar minha letra bonita

Vocês sabem bem disso
Que eu nunca vou ser preso
E sempre vou andar sem medo

Odeio mágoa
Nunca guardo
Não tenho tempo tampouco paciência

Sempre tive privilégio
Físico e mental
Por isso tive receio na fila do exército

Encho meu caderno de palavras inúteis
Mas é importante perceber isso
Assumo a culpa

Não assino nenhum B.O.
Não dou trabalho
Adoro papo reto

Me empolgo fácil demais
Recluo com mais facilidade ainda
Mas deixo marca

No fundo da minha alma eu quero só produzir
Música, texto e emoção é só o começo do currículo
O problema é exteriorizar

Percebo com facilidade o meu entorno
Agora me divirto mais aqui
Do que com mil amigos

Sei quando sou chato ou inconveniente
Não me iludo
Mas guardo pra mim todo esse sentimento

Enfim, achei aqui uma sombra e cansei de versinhos. Vamos pra caça.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Só mais um

Quando foi?

Que eu e você aprendemos a viver tão bem sozinhos?
Que perdemos toda a necessidade infantil de presenças constantes na nossa vida?
Fico feliz e triste olhando para a escuridão do meu quarto, pois recém agora que pisco o olho pra perceber tudo isso.

Foi só mais uma fase que não vimos passar.

Lembra quando cada detalhe importava como se estivéssemos em uma permanente crise de ansiedade? O cheirinho do tempero era saboreado pela sua mente, enquanto você caminhava pela cozinha, sentia o solavanco do braço da geladeira, e o frio da garrafinha de água na mão direita.
Agora a gente faz tudo no automático.

Foram só mais uns minutos que passaram.

Lembra quando a gente acordou juntinho, e você se levantou assustada pra ver o que era? No final era só a chuva, e passamos alguns minutos admirando o que a janela oferecia. Dias como esse eu nem preciso me esforçar pra lembrar dos detalhes.

Foi só mais um momento que eu deixei pra trás.

Ou quando a gente teve o nosso último dia naquela chácara, você toda bronzeada pedindo bis, não foi dificuldade nenhuma manter o olhar. E quando tava escurecendo você pediu pra continuar, mas eu disse não.

Foram só mais alguns momentos que eu escolhi não ter.

E hoje eu decidi seguir o que eu quero, os meus sonhos. A satisfação recente que eu andei procurando. Em fazer textos como esse, mas finalizá-los de uma maneira diferente.
Ah, e hoje? Hoje foi só mais um dia...


e você acabou de ler apenas mais um texto.