segunda-feira, 7 de julho de 2014

Confissão

O mundo às vezes procura nada mais do que o acaso
como uma hipótese cômoda
para os amantes insônicos
para os abraços errantes
um sopro que leva tudo para casa.

O desfoque é nada mais do que
                                                                                ( , )
desvio da lente que procura paixões
em vinte e quatro quadros por segundo
mas é oblívio ao trocar de filme.

Talvez seja frio como o impasse
de roupas mal lavadas e café gelado
que traça destroços por nossos lençóis
(analogicamente digitais, um jorro de tinta aqui
e fracassos remotos lá do outro lado),
espelham em nós como faria Áquila.

Aqueles pareciam os últimos feitiços
e eu nunca soube se eu seria incapaz.
Poderia tornarmos foscos, sejamos infinitos
no reflexo da saudade de teus olhos castanhos, 
longínquos na incerteza do nosso caos.

Meu bem, procura a tua voz de novo
e volta pra dançar comigo mais uma música.
Seja essa só mais uma linda valsa qualquer ou
um pequeno, mas grande pedaço
do resto das nossas vidas.

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