quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mulheres

"até amanhã," ela diria 
segurando um copo de água com gás,
gás hélio que penetrava os pulmões
em um grito ímpeto de prazer lúgubre
ela se arrastava aos meus pés.

"quem diria,
você aqui de novo"
em um sorriso um pouco maldoso
com um pouco mais de sede do que ontem
ela olhava torto, lambia os beiços
estralava os dedos e me puxava pelo pescoço.

"por que você não quis
ficar comigo?"
hoje não dá, querida, eu diria
virei as costas e dei de cara com o samba
suando frio, um pouco tonto
procurando pela saída de emergência.

"mas hoje você não vai sair daqui,"
e me empurrou na parede
encheu a minha cara suja de beijos
mordidas de uma serpente peçonhenta
não passam de gangrenas violentas
e eu caio morto pedindo um pouco de soro.

"podemos repetir essa noite
qualquer dia desses,"
ah, mas é claro que sim
                                     ( tudo o que você quiser e mais um pouco )

e do pó eu venho como um homem só,
amante dos ensaios de Epicuro,
filho do fogo e das más sentenças,
Diabo que se curva à mulher que me fez
tão só que desfez esse nó.

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