sexta-feira, 20 de março de 2015

Uma conversa gigante e imbecil pra você saber que deve se afastar

1: ... E então é isso. 
3: Acho que chegamos a algum lugar, dessa vez. 
1: Na verdade eu acho que já sei o que rola. 
3: Que seria?
1: Tenho muito medo de ser idiota, dessa forma, pelo medo de ser idiota, acabo sendo. 
3: Drama?
1: Nah, isso sempre. Mas o ponto é: essas questões ficam batendo na minha cabeça como se a qualquer momento eu fosse sentenciado a ser privado de tudo... Talvez eu deva pensar mais.
3: Mas quando entrou por aquela porta, você disse que precisava conversar com alguém. Seria ignorância consigo mesmo dizer que não se importa mais.
1: Vitamina D. 
3: O quê?
1: Preciso de mais Vitamina D. 
3: Certo... Olha, preciso que você comece de novo. 
1: Tudo do começo de novo? Ah, que saco. 
3: É necessário. 
1: É idiota. 
3: E você não é?
1: Admiro sua sinceridade. 
3: De nada. Do começo...
1: Tá, eu estava deitado e sofrendo quando...
3: Eu disse "do começo".
1: Mas que saco! Por que vocês me fazem repetir isso o tempo inteiro?
3: Protocolo. 
1: Tudo o que vocês sabem... Regras, protocolos, aja normalmente, não fale alto, não viva, não discuta... 
3: Do começo. 
1: Que merda. Eu matei ela, tá bom? Matei. A facadas. Mas a gente pode voltar pro ponto inicial que é a minha sanidade mental?
3: Somente compreendendo o problema e os motivos. 
1: Que se foda! Se eu não matasse, ela se matava. Grande merda! Um número a menos nesse universo. Grande merda.
3: Você não se arrepende?
1: Eu me arrependo, já disse. Mas o que eu queria mesmo saber é por que diabos eu sempre ajo do jeito que eu quero mas tudo volta contra. 
3: Você decide suas ações e as pessoas que não são você decidem como vão reagir a isso. É natural. É óbvio. Mas agora vamos do começo. Você entrou na casa e...
1: Que se foda a menina! Vocês já sabem da história de todos os ângulos! Mas seu ponto é interessante... Parece que tenho dificuldade em ver coisas óbvias... Devia pensar mais...
3: Você está se repetindo. Sente-se bem?
1: Estou? Desculpe. Não queria que fosse assim. 
3: Não queria ter matado?
1: Pelo amor de Deus! Eu é quem estou me repetindo? 
3: Ok, então não vamos mais falar nisso, por enquanto. 
1: Amém. Será que por eu não me importar eu me torno idiota?
3: Como?
1: Ela. Eu não ligo. 
3: Mas se arrepende.
1: Sim, mas não me importo. 
3: Você é um desperdício. Podia ser muito mais que isso. 
1: Aí que tá: o que eu faço com essa informação? Será que consigo segurar?
3: Se não esquecer de tomar água e escovar os dentes, consegue. 
1: Você é mais louco que eu. Ou será que nem sou louco? Será que estou só fingindo que vivo? 
3: Você diz que deve pensar mais, mas se pensar mais, vai acabar afogado nos seus próprios pensamentos. 
1: Mas as pessoas que não são eu podem reagir como quiserem aos meus pensamentos...
3: Vitamina D?
1: Isso. 
3: Tenho, sim.
1: Ufa! Valeu, Maurício!
3: Que nada. Só me promete que você vai ficar bem. 
1: Sei lá, bicho, sei lá. 

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