quarta-feira, 22 de julho de 2015

mal-dita seja essa época que brutalizou a vida
porque pessoas são presas nesses cubículos chamados corpos onde são forçadas a existir, só e somente só existir. oprimidas a viverem tão iguais, oprimidas a serem mais um número em uma estatística para propaganda de qualquer monstrimultinacional.
somos meros apartamentos de um prédio para camadas pobres da população economizando espaço nessa guerra de ódio, raiva e rancores que líderes que representam povos que nos representam travam e nos forçam a nos travar.
e é impossível viver fixado como meros apartamentos (vidas ou existências?) iguais.
não consigo prender meus pés no chão porque estou suspenso no apartamento 1080 no décimo andar. assim como não posso voar, porque asas para suspender no ar o peso do céu não cabem nesse cubículo. a janela é muito pequena para eu possa sair e voar.
as asas atrofiaram e as penas caíram. meus pés não sustentam peso algum.
massas de pessoas vivem em seus cubículos que amassam noventa e oito porcento da população mundial inteiro em um local só. local de só dois porcento do mundo. porque os outros noventa e oito porcento de lugares do mundo é de um grupo de só dois. co-existimos com poderes que são livres para amassar pessoas em caixas cinzas de concreto cinza e seco.
no mundo todo é proibido amar
porque todo mundo já tentou viver
mas todos um dia perderam sua força contida nos músculos de seus corpos ou tiveram suas asas atrofiadas por (des)uso.
alguns, porém, colheram suas penas.
aqueles que as deixaram, deixaram seus sonhos.
os que as colheram, colhem sonhos.
aqueles que se deixaram, deixaram seus sonhos.
os que resistiram, persistem seus sonhos.
um sonhador já sem asas faz do chão seu próprio céu
e todo mundo com 36 anos já quis ir à lua ou ao centro da terra.
no século XXI ainda se tenta amar.

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