sábado, 11 de julho de 2015

viajor infantil

escreveu de Mercúrio até Netuno caminhando com essa bota de pano de acrobata
pulando de cometa em cometa: parou em Saturno. Correu pelo anel astronômico, feliz
sentou na borda sem medo de cair
com os olhos pretos surpreendidos, olhou:
a plêiade de estrelas brilhantes, únicas
impressionista algum saberia como pintar aquilo,
talvez Monet, mas desconfio da Belle Époque.
Caiu o último grão de areia da ampulheta:
de acaso a acaso o livre arbítrio abraçou o destino
o astronauta enxerga uma nuvem e curioso vai ver de perto:
puxado por aquela rotação, não se amedronta
abraça tudo aquilo, confia no ballet universal.
(sabe que se pensar muito, vai ver o infinito se esconder)
a poeira se junta e rotaciona, o hidrogênio intrínseco
dá um aceno saudoso,
por trás do capacete, um sorriso
vira estrela: é festa celeste.
Uma lágrima escorre no rosto do menino
mas levanta, porque sabe
que se não dançar, vai se atrasar
pois a música não cessa
e precisa dançar durante todo o disco: do vinil ao yottabyte
se quiser, um dia, ser astronauta também.

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