segunda-feira, 31 de agosto de 2015

"Mas"

Eu aproveitei que tinha milhares de créditos no celular e liguei pra desejar um feliz natal a todos, mas não tinham muitos números na minha agenda.
"Eu tô falando, cara, vou escrever um texto enorme pra ela dizendo tudo o que eu sinto."
E ele me olhou meio torto, como se não fosse uma boa ideia. De fato não era, mas sempre fui muito profundo em qualquer coisa.
Aí eu liguei, mas não era para desejar um feliz natal. Era pra conversar.
"É que eu não entendo o que você quer, saca?"
"Ai João, o problema é que você fica o tempo todo me colocando na parede, sabe? Eu não consigo respirar."
Eu ri, mas ri de nervoso.
Depois que desliguei, era óbvio que eu iria fazer aquela presepada toda.
Às vezes me sinto muito burro. Muito, mas muito burro.
Mas
"Se arrependimento matasse, eu estaria vivão."
No texto eu realmente escrevi tudo o que sentia, mas meu pior erro foi ter nascido em 97. Não se sabe o que é o que quando se é inteligente demais pra sua época.
"O João é homem pra casar."
"Então casa comigo."
Silêncio.
Eu ainda lembro de você, eventualmente. O engraçado é que lembro só das coisas que fiz e não das coisas que você fez. Hoje, não tenho muita vontade de te ver e, se visse, provavelmente iria agir estranho. Espero que entenda.
Deus, eu queria tanto ainda ter as coisas todas naquele celular. Iria rir por tantas horas.
E mais: você era muito feio, João. Puta que pariu.

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