segunda-feira, 28 de abril de 2014

solitude

o sol respinga na janela e atravessa a ti, olho pra fora e você já não mais me enxerga, o grito agudo, eu desvio do feixe e a morte do primo é um projétil venoso a oitenta e três metros por minuto. é o rastro descompassado do caminho mais breve, é o sangue que corre, é a luta pela derrota. é a desventura porque eu nunca soube vencer, o escárnio é viril e eu sou arremessada aos três tempos no ringue, não dá tempo para um gole d'água, quiçá prum suspiro. isso é só o início? ou o início é findo? eu vejo o trem da solitude lá do outro lado do quarteirão, e o fantasma já não mais me alcança, não mais, não, pois eu corro, corro contigo, corro comigo, corro convosco. passa pela avenida o sol-em-ti, se eu já não fosse a colisão entre os dois motores que anulam a minha partida. por ora, apaguem as luzes.

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