segunda-feira, 16 de março de 2015

Dona, eu lembro muito bem daquele dia. A luz acabou e a gente foi correndo pro seu quarto, que mesmo com o sol batendo, estava escuro. Você deixava o copo d'Água em cima da televisão, esperando que as benções dos padres a abençoassem e você melhorasse logo. Pensando bem, você até rezava antes de comer. 
Mas ai eu te vi naquela cama e me senti tão triste. Você tinha peso nos olhos, mas se divertia com o nosso pavor. Sorria a quase gargalhar, até que disse algo como: "acendam uma vela, então!"
Dona, nós éramos crianças mas não tão burros. Era dia. A luz entrava em todos os centímetros daquela casa, menos no seu quarto. E seu quarto era o que mais deveria estar iluminado. Estávamos lá porque queríamos que não se sentisse sozinha. E talvez seu riso tinha sido por isso. Mas a luz voltou. 
Depois que abandonamos seu quarto, você se sentiu triste?
Dona, depois que se foi, seu quarto ficou vazio e trancado. Mas hoje está habitado e continua lindo.
Você ficou na minha mente, Dona.

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