quarta-feira, 29 de julho de 2015

quiromancia

e, sob a luz do asfalto
ricocheteiam milhares de fótons
e partículas do universo multilateral
atravessando a poeira que se expande
no ar e as mil ladeiras em diagonal
tensionando e friccionando a matéria
no tilintar das paredes opacas
no fogo que arde vindo do vidro
da lente que sorri ao girar o mastro focal
do período mesolítico,
e que volta

volta ao cosmo subatômico.

te conheci aqui há quase
catorze bilhões de anos.

**

por isso me remete, ah, com toda a calma
os seus olhos de caleidoscópio a pequenas vertigens,
és o estalar das ondas curtas na areia e as colisões atômicas na expansão relativa do espaço e do tempo.

e de mansinho, eu me aproximo,
a meia-luz dançando por entre sombras e pelo velejar do tato,
me perdi nas entrelinhas,
e hoje pura e simplesmente lutei para não cair por todos os traços (e pequenos relapsos)
dentro do carrossel dos seus átomos.

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