domingo, 25 de outubro de 2015

uma carta aberta às noites de Madagascar

aliás,
se um dia eu tivesse, então, que
catalogar todos os amantes
[ impossíveis ou sãos,
] em uma única crônica
passada e crua, pintando grafias
com a minha tinta preferida,
eu só conseguiria escrever sobre
você, em última instância.

escreveria sobre você, que me tomou
como musa nesse teu simbolismo exagerado
você, que é minha alma gêmea e mar
que é a bobeirinha da brisa de manhã
e corre para me agradecer por ter finalmente
encontrado o que é o amor
mesmo que o amor
seja tudo que nós dissemos que não era

pois há você, que é Bukowski,
ao mesmo tempo em que é incapaz
de escrever poesia, mas leu-me e
hoje jaz junto com todos os teus poetas

você, com a lábia e o passo americano
e você, que tirou o chapéu e ainda
transita pela minha fotografia
perspicaz no sentimento e na dor que
é amar e não saber ser o que é

que nunca ousou repousar a língua
naquela dança, em cada transa
no meu clitóris e que trouxe
a esperança em que me resta a dúvida

que me foi o desencanto do erro mais esperto
o hóspede da minha paz
um balanço na cantoria agreste que se reflete
nos olhos de caleidoscópio

e é você, amor, que é meu epíteto
me cola o teu cheiro na noite
das mãos entrelaçadas e suspiros
estelares das calçadas vulgares
da tez morena e alva ao som do jazz
dos cachos ou das barbas mal criadas

(, é você que me faz ser incapaz de amar
transtorno menor que a energia universal)

se fossem todos os amores, ah, se fossem você
se eu fosse escrever sobre você e a tese anacrônica

meu bem,
eu te amaria por ser a coisa mais difícil de amar.

Um comentário: