terça-feira, 17 de maio de 2016

Re: com amor,

(...) com o mesmo amor pelo qual palavras mancharam as paredes, tudo foi feito de memória. poderia tatear as paredes do corpo procurando runas antigas, mas o mapa se encontrava sempre absurdamente intangível: o ato de inocular a coisa viva em corpos celestes bagunçava o amor por toda a casa. a casa, permita-me dizer – nunca passou do deleite da psique na forma palpável de aromas inebriantes. arriscaria dizer que seria a tua mistura de cigarros, orgasmos e perfumes de estante. o brilho da intimidade que me faz reconhecer tua pele em braille mesmo depois da completa revitalização das células em sete anos. por pouco era pouco.

a longevidade era pouca. na maior parte do tempo, só deixaria as coisas ternas; ali, grampeadas em arquivo de sopro vital, de fracassos do coração. mas enganar quem? nem após um século de destroços eu entenderia o que aconteceu naquele outono.

 um dia, quem sabe,                                    
                 
(sempre com amor)
ao amor.

7 comentários:

  1. "nem após um século de destroços eu entenderia o que aconteceu naquele outono." quero chorar.. "um dia, quem sabe"

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  2. dá para ouvir "eu destruo tudo" ao fundo. não sei se sou eu... ou você.

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  3. "if i could start again a million miles away, I'd keep myself; I'd find a way"

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  4. Volte a postar, volte a escrever caso tenha parado, Bárbara, adoro o teu trabalho e sinto falta de lê-los.

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