domingo, 7 de agosto de 2016

cantando alto e correndo numa rua do centro num sábado festivo
a madrugada usava uma película de cinema com ruídos imagéticos em câmera lenta
você me olhou enquanto segurava aquela garrafa de vinho barato que nós compramos e disse
olha aquela placa: "Fauna&Flora",
nossos passos estavam sincronizados e a gente brincava de falar outras línguas (talvez não as nossas, não naquela hora)
você encostou seu quadril em mim e dançávamos sem parar por um segundo sequer e mexíamos os braços como que tentando alcançar qualquer tipo de sentimento inalcançável tentando desenhar triângulos com nossos membros e ver o ar se rasgando nessa ciranda tão infantil e tão adulta tão embriagada tão errada tão proibida fazendo juras de alugar um trailer e transar por uma estrada que não conhecemos para um destino muito menos conhecido
hoje eu acordei e olhei pro lado e só encontrei vazio e um silêncio preenchido com batidas ritmadas de uma música qualquer

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