autor: Ayrtton Fonseca autor: Bárbara Tanaka autor: Giovana Anschau autor: João Basso

terça-feira, 21 de julho de 2015

E quem tá certo?

Quando chegar o momento / 
Esse meu sofrimento
 / Vou cobrar com juros. Juro! /
 Todo esse amor reprimido
 / Esse grito contido /
Esse samba no escuro.

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Gata /
Esquece desses nóia
/ Que toma bola e rebola /
Que te dá bota pra ficar com outro tchola 
/ Hey gata /
Fica pronta e tal, se apronta legal /
Que faz tempo que não coça a ponta do *scratch* /

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It's sure as the floor 'neath my toes /
And somehow not surprised
/ That I was superimposed, somehow in this life /
And if my friends and my foes would just drop me a line, it'd be nice. /

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Dropping your bombs now
On all we built
How does it feel now to watch it burn?
Raise your weapons, raise your weapons
And it's over.

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sábado, 11 de julho de 2015

viajor infantil

escreveu de Mercúrio até Netuno caminhando com essa bota de pano de acrobata
pulando de cometa em cometa: parou em Saturno. Correu pelo anel astronômico, feliz
sentou na borda sem medo de cair
com os olhos pretos surpreendidos, olhou:
a plêiade de estrelas brilhantes, únicas
impressionista algum saberia como pintar aquilo,
talvez Monet, mas desconfio da Belle Époque.
Caiu o último grão de areia da ampulheta:
de acaso a acaso o livre arbítrio abraçou o destino
o astronauta enxerga uma nuvem e curioso vai ver de perto:
puxado por aquela rotação, não se amedronta
abraça tudo aquilo, confia no ballet universal.
(sabe que se pensar muito, vai ver o infinito se esconder)
a poeira se junta e rotaciona, o hidrogênio intrínseco
dá um aceno saudoso,
por trás do capacete, um sorriso
vira estrela: é festa celeste.
Uma lágrima escorre no rosto do menino
mas levanta, porque sabe
que se não dançar, vai se atrasar
pois a música não cessa
e precisa dançar durante todo o disco: do vinil ao yottabyte
se quiser, um dia, ser astronauta também.

Ponteiro

Longe de ser Alzheimer, minha memória é calendário;
dos poucos dias que passam, me arrasta espalhando sangue
pelo chão como feridas abertas, tragédias hemorrágicas
e taquicardias sonolentas no decorrer das horas frágeis.
A cada "que dia é hoje?" há um revirar de olhos e duas mordidas
nos lábios, resistindo no desmanchar de todos os órgãos internos
e mergulhando num turbilhão de elementos que não sei se vivi
aqui ou senti em sonho comovido pelo refluxo do tempo.
Queria enxergar o espaço como a grande Persistência da Memória,
recriando um quadro cubista com elefantes longos e a lembrança
da luz refletindo nos ombros de menino naquela tarde de quarta-feira.
Hoje, por mais que eu raciocine através de inúmeros fractais e
algoritmos inerentemente humanos, ainda me bagunçam os ponteiros
que acionam a meia-noite e me vêm aqui a necessidade de conserto
e a imagem rápida daquilo que chamam de passado.
Nada desse porte me atormenta; mas há sempre aquilo encoberto
e separado por marcas d'água feitas de tempo, de páginas
do calendário que você sempre esquece de trocar.
Por pouco não sou consumida pela voracidade do acaso ou do
déjà vu. E assim acompanho o andar lúdico de um carrossel;
aqui estamos, e aqui nos arremessamos ao cais e ao cavalgar do tempo.

domingo, 21 de junho de 2015

Já que sou o único acordado...

É importante ressaltar que várias vezes ao dia digo coisas que não gostaria que fossem proferidas a mim. Eu me esforço, ao menos.
Devia ouvir mais. Aprender mais. Mas de que vale só ouvir e aprender, mas não tentar?
Eu arrisquei, ao menos.
Tem duas pessoas que circulam minha mente enquanto escrevo esse texto às 07:58 da manhã. Elas não saem por aí trocando palavras inúteis como eu e sempre deixam o recado claro. As admiro.
Sinto que vou voltar ao ponto inicial e vai tudo dar errado mais uma vez por culpa minha e de mais ninguém. Sinto-me preso a esperanças e olhares maliciosos que me vigiam enquanto eu durmo. É como desalinhar um quadro na parede por vontade própria.
Um "está tudo bem" seria legal num momento como esse.
E você, gosta mesmo do meu texto? É mesmo de seu agrado ler essas linhas tortas? Acha interessante observar a ruína ou absorve conteúdo para si? Você já viveu, hoje? Tomou decisões difíceis sabendo das consequências? Pois bem.
Um travesseiro, cobertor e paz. Refúgio mental para os menos afortunados. E são 8:10.
"Chega de se enterrar; você não precisa disso."
"Não seja idiota."
"Isso é frescura."
Ou qualquer outra coisa que você esteja dizendo pra me derrubar, outro cara. Dói, mas eu aguento.

Eu sempre aguentei.