autor: Ayrtton Fonseca autor: Bárbara Tanaka autor: Giovana Anschau autor: João Basso
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domingo, 25 de maio de 2014

elegia ao brasiliense morto

fotografia por Giovana Anschau.

você rola
os olhos
porque até
os modernistas
estão cansados
das estruturas metálicas,
do tumulto dos sólidos,
da natureza morta.

eu te olho
lá de cima
porque você é tudo
o que eu sempre quis ter,
a refração eu observo
num reflexo fantasma
e eu não atravesso
parede alguma,
nem ferro nem concreto,
nem vidro
nem cinética.

mesmo assim
os vultos passam
te arrastam pra longe
e você ainda olha
do outro lado
e toca as paredes
procurando o calor
que eu, aqui do lado,
insisti em esfriar.

Meio fio, meio do fim, passou

Venha correndo
com essa risada de criança
esse sorriso estampado

Venha correndo
chorando por ter caído
do mais alto morro

Venha correndo
com a bicicleta na mão
e proclame uma poesia aleatória
mal formulada, agora

Me olhe com esses olhos castanhos
brilhando
e esses cílios prolongados
de criança pequena

Venha correndo
e pare para que eu
olhe no fundo do teu peito
e sinta toda a tua história
as tuas dores, os teus romances,
as tuas alegrias;
para que eu sinta o gosto das tuas ideias.

Mas não fique,
passe,
assim como uma criança passa correndo
empinando pipa
ou como um pássaro no meio fio.

Fio,
fim,
passou.

domingo, 4 de maio de 2014

Você, você, você!

Isto é sobre você
Sempre foi sobre você
Você ali, você acolá
Sentada num banco
Ou vendo o tempo passar
E eu, que simplesmente observo
Sempre me pego pensando em você
Você é um dia uma, um dia outra
Você tem olhos bonitos e feios
Tem um corpo alto e esbelto
E as vezes baixo e macio
Você. 
Você sempre tem um jeito de me prender o olhar
E pra quê servem os olhos, se eu quero é te tocar
Eles dizem: 

"Ei João, suas frases não fazem o menor sentido! Cadê a continuidade?"

E eu só digo: 

"Calma, amizade..."

Aí pego meu violão e toco aquele Fá bem bonito
Início aquela música
E paro no meio
Porque me lembra você. 

Aí você diz: 

"..."

E eu digo: 

"Eu quero é adrenalina, meu bem!"

Pois bem, olha só, meu bem
Acho que no fundo mesmo
Esses versos catastróficos 
São sobre eu tentando me achar
E não tentando procurar você. 

Você não é você e nunca vai ser
E o você ideal nunca vai estar ali
Sentada num banco, desolada. 

Isso não é sobre você.