segunda-feira, 27 de abril de 2015

Desculpa por nunca escrever sobre você

Sabe, eu te vi crescer. Às vezes vou te buscar e você está sempre (sempre) lá, radiante, guardando os seus brinquedos na mochila e logo correndo para alcançar a minha mão. Você sorri e pergunta como foi o meu dia. Tenho internalizado já que você não entende e nem sequer se importa muito com a minha resposta, mas ainda assim faz questão de perguntar e eu faço questão de contar algum detalhe bobo porque sei que você vai rir. É como se tudo o que você enxergasse fosse de amplitude gigantesca, imensurável, astronômica. Está bem longe de qualquer compreensão de alcance teórico ou acadêmico. Nenhuma tese de pós-doutorado conseguiria chegar aos pés daquilo que você sente ao aprender a escrever uma palavra nova. É como ver o universo todo se expandindo, crescendo e você moldando as coisas de um jeito completamente novo. Juro que quero ser como você quando crescer. Quero resgatar a pureza no manuseio, o brilho nos olhos, a paixão e o amar só porque aquilo é vivo e vivemos o agora.

Meu Deus, eu tô vendo você crescer. Desculpa por nunca escrever sobre você. A gente só escreve quando a gente tá triste, porque quer transformar a tristeza em algo bonito. Você já é o que há de mais bonitinho, e eu não quero perder de ver isso nem por um segundo. Você cresce todos os dias e não consegue aceitar que um dia eu já fui do seu tamanho, e que daqui a pouco você vai ser bem maior do que eu. Às vezes acho que você já é. Eu tô vendo você crescer e eu sei que vou te perder, porque é aí que você vai se encontrar. Sei disso porque seus olhos enchem de lágrimas iguais aos meus. Você vai segurar a mão do mundo. E o mundo não poderia estar em melhores mãos. 

É, pequena, eu sei que você vai cuidar de tudo. Vai sim. Agora vai logo brincar, só mais um pouquinho, porque daqui a pouco é hora de dormir e amanhã o dia vai fazer sol.

Um comentário:

  1. Um dia ela vai conseguir ler cada palavra sua e vai te amar ainda mais.

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