segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu lembro sempre dos detalhes mais perversos

Ah, lembrei.

Era só mais um dia muito nublado numa manhã muito gelada em que eu, surpreendentemente, tinha muita vontade de assistir aulas.
(
João, você sabe qual era a razão de você querer assistir aulas.
)
Ok, eu sei.

Te encontrei no meio do caminho e você estava como sempre: normal, mas nem tanto. Sempre teve esse ar de bailarina requintada. Fiquei surpreso.
"Por que existe doença no mundo? Que droga!" Você disse, rindo e coçando o nariz. Tinha pego um resfriado ou algo assim.
E eu podia ter calado a boca e forçado uma risada fraca.
(
Mas aí que tá, querido. Essa pergunta retórica bateu na sua cabeça que nem um míssil. E quando essas perguntas batem, você não se segura, certo? Certo. Eu sei, eu sei.
)
Ok, ok. Fica quieto. Dói quando você fala essas verdades, sabia?

(
Alguém tem que falar a verdade por aqui, de vez em quando.
)
Que saco.

Então, retomando: foi mal, eu me exaltei e comecei a falar sobre doenças e o mundo numa empolgação um tanto patética. Acho que esperei muito de você numa manhã gelada e agora você acha que eu sou idiota.
(
João, isso faz mais de 5 anos.
)
Eu sei, mas ficou na minha cabeça. Que tal você parar de guardar os detalhes, hein?

(
Nah, você ainda vai lembrar do nariz dela levemente vermelho e do cachecol azul-bebê.
)
UUUUUUNNNNNNRRRRRGHHHHHH

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